Pelo fim dos estereótipos

Estava relendo um texto da Sarah no seu blog sério, buscando inspirações para escrever algo que há muito está entalado em minha garganta, veias, intestinos e quase salta pelos meus poros. O tema é feminismo/machismo.

Quem frequenta este boteco sabe que eu não sou feminista, que não quero ter os mesmos direitos que o Jack e sim, sou submissa e confesso que aprendi isto com minha mãe. Não levanto a bandeira das donas de casa, amantes da cozinha e dos afazeres domésticos, putas na cama e damas na sociedade, casando puras e virgens de véu e grinalda. Apenas me conheço um tanto suficiente para afirmar que gosto de proteção e segurança e que minha submissão não é só fetiche, é o meu modo de relacionar.

Não sou feminista, mas também não sou machista.

Gosto de homem viril. Atenção: não me refiro a um babaca marombado, com um pitbull a tiracolo, nem a um fardado armado e muito menos ao macho rude. Gosto de homem com atitude, que se conheça ao ponto de admitir seus desejos e limitações. Gosto de homem que chora e isso não quer dizer um moleque mimado afetado que cai aos prantos na iminência de uma crise. Gosto de homem que evolua, desprezo mortalmente os eternos adolescentes.

Não suporto a fêmea fragilizada, pudica e frígida.

Após o começo da adolescência com todos seus amores platônicos, nunca mais lancei minhas ansiedades sobre nenhuma figura masculina, apenas confiei na parceria da relação homem-mulher. Não me sentia vítima dos homens, tendo-os como seres macabros que só pensam em abusar do meu corpo – tenho pena das mulheres que se sentem assim, nunca me questionei se deveria ou não transar num primeiro encontro, porque sabia que se eu gostasse e me sentisse confortável e segura, eu o faria.

Entre uns e outros copos, em botecos aqui e acolá, conheci e soube de homens que acreditam que existem “mulheres pra trepar e mulheres pra casar” e outros que precisam de uma mãe, babá ou similar. De homens que proclamam sua masculinidade enumerando vaginas invadidas, exibindo carros potentes e humilhando qualquer atitude que “soasse homossexual“, entre tantos outros pobres de auto-conhecimento, necessitanto se afirmarem machos-alfa o tempo todo.

Com a comoção que o caso Ronaldo causou, esse tema veio novamente à minha ‘mesa de debates’ existencial (o existencial é roubado do Vives, que não fuma, só acende cigarros existenciais).

Eu fiz piadas machistas sobre esta história e acho que acredito em parte delas, mas isto não vem ao caso no momento. Um texto lido no blog da Lu sintetizou o que eu pensava sobre toda essa história de gente dizendo que o Fenômeno era inocente entre tantas outras besteiras. Inocente de quê?! Da acusação de envolvimento com drogas? De se utilizar de serviços sexuais e não pagar? Não. De se envolver com travestis.
Como se não tivesse todo o direito do mundo de se envolver com quem ele quisesse.

Símbolo da virilidade, como pode um jogador de futebol se envolver num escândalo desses? Como pode um homem desses se envolver com travestis? O que leva um homem a se envolver com travestis?!
A Lu responde, e eu aplaudo: Porque gosta. Porque quer.

Esta história é apenas um dos exemplos de como existem pessoas tão pequenas. Ou no mínimo equivocadas.

E é por isto que eu adoro os homens da B., em seu encerrado Me and My Secret Life. Pessoas de uma só cabeça e mil idéias, pessoas que antes de querer se relacionar com outras pessoas, sabem se relacionar consigo mesmas. Homens que sabem que um fio-terra não farão deles ‘menos homens’, mesmo que não curtam fazê-lo, mulheres que talvez não gostem de beijar outras mulheres, mas entendem que algumas outras gostem e não são umas ’sapatonas enrustidas’ por isso.

Sou contra a obrigatória bissexualidade, apregoada por tantas pessoas que se dizem modernas e esclarecidas. Sou contra a obrigatoriedade. Sou a favor do auto-conhecimento, pelo fim dos estereótipos.

 

*Agradeço a todos que tiveram seus textos linkados neste post.

~ por Stella em Maio 19, 2008.

5 Respostas to “Pelo fim dos estereótipos”

  1. Menina,

    Vou dizer pouco: texto irretocável.Queria que fosse meu,sem inveja. Abraço, Jarbas.

    * Stela diz:
    Vc é um fofo! Gracias!

  2. Eu qe te agradeço por ter sido mencionada em um texto tão lúcido, parabéns. Beijos!

  3. legal seu texto! só li hoje, e engraçado que acabei de postar meio que sobre feminismo/machismo, umas coisas pareciads até. legal isso que você falou de não ser nada feminista e nada machista – e seu texto corrobora com isso, totalmente. (e eu também não tenho a menor dó de mulher fraquinha…)

  4. … mas não gostei do texto da sarah, que você linkou. ela escreveu: “o homem gosta de sentir como “o que protege” e a mulher protegida. É tão óbvio, mas parece tão feio” – nem todo homem sente isso, e nem toda a mulher. o que é feio é justamente o caráter opressivo dessas afirmações generalizantes… enfim! beijo!

    ***Stella diz:
    Pos é, lindona… por mais que se ergam bandeiras, vira-e-mexe caímos na generalização.
    Beijos!

  5. aplausos.
    BIS.
    compartilho de tuas idéias, adorei o blog.
    já tá nos favoritos.

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